A Cizânia entre Bolsonaro e Mourão cresce – Teremos novo golpe?

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A Cizânia entre Bolsonaro e Mourão cresce

 

“Não ajuda o governo”, reclama o pai de Flávio Bolsonaro.

Houve um “armistício” entre os eternos militares Jair Bolsonaro e seu vice, general Hamilton Mourão, mas só durou 24 horas.

Conversaram na quinta-feira, na sexta voltaram à carga. A submissão de Bolsonaro a Trump teria sido um dos principais motivos da renovação da cizânia.

Em off o presidente disse a auxiliares que Mourão não ajuda o governo.

Publicamente Mourão defende uma opinião inconciliável com a de Bolsonaro sobre o resultado efetivo das eleições presidenciais nos Estados Unidos. Disse que a vitória de Joe Biden é cada vez mais “irreversível”.

Desafiando os padrões diplomáticos do próprio Itamaraty o Planalto reluta em admitir que Trump perdeu.

A divulgação de documentos do Conselho Nacional da Amazônia, que planejava desapropriar terras de desmatadores. Bolsonaro chamou de “delírio” essa ideia do órgão dirigido por Mourão.

Depois de uma conversa na última quinta-feira, haviam restabelecido uma trégua.

Mas essa trégua não durou 24 horas.

 

Opinião:

 

Teremos novo golpe?

 

No passado os vices eram eleitos em chapas separadas. Na eleição de 1960, contudo, aconteceu algo grave, foi eleito para presidente Jânio Quadros, um homem controverso, de direita, com pautas morais, e um vice-presidente da esquerda progressista, João Goulart.

Numa clara tentativa de autogolpe, em que assumiria poderes plenos, Jânio apresentou uma carta de renúncia, pois estava acordado que ela seria rejeitada pela Câmara dos Deputados. E, para garantir o apoio militar, o fez no dia do soldado, 24 de agosto daquele 1961.

Num processo de traição, a carta foi aceita e Jânio ficou fora do poder apenas sete meses depois de ter assumido.

Da inconveniência de ver assumir a presidência um projeto que havia sido rejeitado nas urnas há tão pouco tempo reside grande parte dos sucessos seguintes, que culminaram numa ditadura militar de 21 anos.

Desde então temos eleito chapas únicas. E é expectável que o vice ajude o presidente na sua missão. Porém, não há essa obrigação legal.

A falta de qualquer regulação enseja golpes como o de 2016, pois o vice tem como atalho ao poder o conchavo com forças políticas contrárias ao governo.

Isso não é nenhuma regra, como vimos no processo de impedimento de Collor de Mello. Itamar Franco se manteve distante de todo o processo e, enquanto foi interino, manteve o ministério do presidente eleito. Exatamente o oposto do que vimos em 2016.

Hoje temos um vice militar e um governo militarizado pelo atual governante. Isso aplaina o caminho do golpe, que passa a depender quase que exclusivamente do espírito democrático dos atores.

Já começou?

Nas usou redes sociais o deputado federal Marco Feliciano (Republicanos-SP)  chamou o general Hamilton Mourão, vice-presidente, de “conspirador”  e de “oportunista”.

Acrescentou textualmente que o militar quer “tomar o lugar” de Jair Bolsonaro. 

Veja o conteúdo da mensagem de Feliciano:

“O general Mourão nos vergonha! Conspirador, desde o 1º dia de governo tenta minar autoridade do presidente Jair Bolsonaro fazendo declarações à imprensa desdizendo o presidente. Oportunista, sempre que vê o presidente com flanco aberto, ataca sem piedade. Quer tomar o lugar do chefe”.

Dificilmente isso foi feito sem o consentimento prévio do próprio atual presidente. 

Siga os novos capítulos dessa novela nesse mesmo canal.

 

 

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