Áreas dominadas pelas milícias no RJ cresceram

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O domínio de grupos armados em todo o estado do Rio de Janeiro equivale a 20% da área urbana habitada da Região Metropolitana e entre 2006 e 2021 as milícias e as facções do tráfico de drogas tiveram crescimento de 131,2%, segundo o Mapa dos Grupos Armados. O dossiê foi lançado nesta terça-feira (13) em uma parceria do Instituto Fogo Cruzado com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos, da Universidade Federal Fluminense (GENI-UFF).

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O documento chama a atenção para a ascensão da milícia, que cresceu 387,2% no mesmo período. Entre 2006 e 2008, ela ocupava 23,7% das áreas sob domínio de algum grupo armado. Em 2021, esse número chegou a 49,9% (de 52,60 Km² para 256,28 Km²), o que significa que 10% de toda a área territorial da Região Metropolitana do Rio está sob domínio das milícias.

Já a concentração populacional na mão da milícia cresceu 185,5% (de 600 mil habitantes para 1,7 milhão de habitantes), indo de 22,5% para 38,8% da população vivendo em áreas controladas por grupos armados da região metropolitana.

Diretora de programas do Instituto Fogo Cruzado, Maria Isabel Couto ressaltou, em entrevista ao Brasil de Fato, a forte ascensão das milícias, sobretudo em áreas que até então não sofriam com o domínio de nenhum grupo armado. Ela criticou, ainda, medidas do governo do estado, como o fim da Secretaria de Segurança Pública e a autonomia das polícias.

“Hoje, as milícias estão em metade das áreas controladas por grupos armados na região metropolitana do Rio. E podemos explicar esse crescimento por alguns fatores, como a crise do estado, que representou também uma crise da gestão pública, incluindo a gestão da segurança. Estamos falando de um cenário de piora de indicadores criminais e de fragilização da capacidade de fiscalização do Estado, que juntos ajudaram a desmoralizar ainda mais a gestão da segurança”, argumenta a representante do Instituto Fogo Cruzado

Tráfico

Um dos principais grupos armados do tráfico no Rio de Janeiro, o Comando Vermelho também apresentou um crescimento de 58,8% das áreas sob seu domínio (de 130,26 Km² para 206,83 Km²) entre 2006-2021, e de 41,7% da população (de 1.441.164 hab. para 2.042.780 hab.). Apesar disso, o Comando Vermelho apresentou uma redução de 31,2% na sua participação sobre o total das áreas controladas (de 58,6% para 40,3%) e 14,2% da população (de 54,0% para 46,3%).

“Essa diferença demonstra que a milícia não cresce a partir da tomada de territórios da maior facção criminosa do estado, mas sim a partir do domínio de áreas que até então não haviam sido ocupadas por grupos armados. Apesar da perda na hegemonia territorial, o Comando Vermelho fica à frente das milícias no que se refere à concentração populacional”, aponta o Mapa.

Até 2021, a milícia estava com 256,28 Km² de área sob seu domínio, enquanto o Comando Vermelho concentrava 206,83 Km². Por outro lado, o Comando Vermelho controla áreas onde residem 2.042.780 habitantes, enquanto as milícias se concentram em regiões que somam 1.715.396 habitantes.

Outras facções

O Terceiro Comando Puro também aumentou sua área de domínio em 110,8% (de 19,70 Km² para 41,53 Km²) e populacional em 70,0% (de 315.633 hab. para 536.683 hab.), mas teve sua participação em áreas dominadas reduzida em 8,9% (de 8,9% a 8,1%). Apesar disso, aumentou em populações sob seu controle em 3,4% (de 11,8% para 12,2%).

A facção Amigos dos Amigos, diminuiu em 65,1% sua área de controle (de 16,13 Km² para 5,63 Km²), em 61,1% a população (de 311.749 hab. para 121.242 hab.), em 85% sua participação em áreas dominadas (de 7,3% para 1,1%) e 76,9% em população (de 11,7%

para 2,7%).

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Para o coordenador do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos, da Universidade Federal Fluminense (GENI-UFF), Daniel Hirata, o combate aos grupos armados deve ser a pauta principal de gestores públicos a partir de ações planejadas, com articulação de táticas de inteligência para provocar a asfixia dos ganhos econômicos desses grupos.

“Este é um cenário favorável, sobretudo para as milícias que, por terem em seus quadros muitos agentes públicos e ex-agentes públicos, aproveitam o medo da população e a baixa capacidade de fiscalização do poder público, para avançar sobre a região metropolitana, expandindo suas atividades econômicas e de controle territorial para cada vez mais espaços”, acrescentou o coordenador do GENI.

Fonte: BdF Rio de Janeiro

Edição: Mariana Pitasse

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