Com 30 candidaturas, povos indígenas querem formar “Bancada

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Por causa do caráter decisivo das eleições deste ano em relação aos rumos sociais e da economia do país, movimentos populares e diversos setores da sociedade têm apostado na estratégia eleitoral, colocando candidaturas próprias. É o caso da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que lançou candidatas e candidatos em 20 estados do país para a disputa deste ano.

Conversamos com Luan de Castro Tremembé, membro da APIB, sobre o processo, que já é considerado histórico para os povos originários.

Assista a entrevista ou leia na íntegra: 

Brasil de Fato Pernambuco: Luan, a APIB lançou cerca de 30 candidaturas para as eleições deste ano. Em algum momento histórico vocês já tiveram esse número de candidaturas?

Luan Castro: Sim, é histórico. Pela primeira vez em um pleito eleitoral no Brasil lançamos uma bancada indígena tão grande. Estamos chamando de “Bancada do Cocar”, essa bancada que conta com 30 candidaturas, das quais 12 dessas concorrem às vagas de Deputados Federais e 18 às cadeiras nas Assembleias Estaduais, isso tudo em estados diferentes. São candidaturas coletivas dos povos indígenas, candidaturas que vem a partir de uma estratégia realmente de aldeiar a política nesse país para que seja uma política mais humana, construída a partir também dos nossos modos de vida tradicionais. Uma política que seja construída por nós e para nós.

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Sabemos que as Eleições de 2022 são decisivas para os rumos dos direitos humanos, para a economia e para as pautas sociais como um todo. Quais são as expectativas da APIB para um diálogo com o Governo Federal que for eleito?

Temos esperança dos novos dias, que o novo ano será ainda melhor. Nós temos candidaturas com propostas de, inclusive, criar um Ministério Indígena, uma pasta dentro do governo para tratar dos assuntos indígenas. Estamos com uma expectativa muito boa, mas também estamos com a certeza de que não será um ano fácil assim como nenhum ano foi. Será um ano de muita resistência como sempre tivemos, desde 1500 que resistimos e vai continuar resistindo.


Como foi o processo de escolha dessas candidaturas?

A indicação das candidaturas que estão sendo apoiadas pelo projeto “Campanhas Indígenas” foram indicações das regionais. Então, cada regional indicou e, por exemplo, aqui no Nordeste nós temos a APOINME, que é a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo. A APOINME fez a indicação desses nomes que estariam concorrendo em toda a região de abrangência e enviou para a APIB para que possa apoiar.

Inclusive, está tendo muita repercussão porque algumas não foram apoiadas, mas é porque de fato as regiões não indicaram e muitas por questões de estarem em partidos que não tem relação alguma com a luta em defesa dos povos indígenas. Mas todos os partidos que estão sendo apoiados pelo projeto “Campanhas Indígenas” são partidos que já tem relações presentes na luta em defesa do território.

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Entre as eleições de 2018 e 2022, o número de candidaturas de mulheres indígenas dobrou. É prioridade dessa estratégia eleitoral e política fortalecer candidaturas de mulheres indígenas, candidaturas feministas?

Temos grandes exemplos e grandes lideranças que são mulheres e é para trazer muito para além das questões indígenas, sobre realmente a questão do direito à vidas das mulheres que é algo tão essencial. Então, temos apoiado de forma muito potente essas mulheres que já estão na luta e também já são muito potentes.

As mulheres fazem parte, estão muito presentes nesse novo projeto da APIB, nesse projeto de política, de vida mesmo. Estamos com muitas mulheres, no Nordeste algumas que estão concorrendo, inclusive candidaturas coletivas. No Ceará nós temos uma candidatura e é uma mulher, a primeira mulher indígena a concorrer à uma vaga na Assembleia Legislativa do estado.

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A APIB tem alguma plataforma que evidencia essas candidaturas. Como o eleitorado que quer votar em candidaturas indígenas pode procurar para poder se informar?

Para você se informar, conhecer mais da candidatura que tem na sua região, temos nossas redes sociais. O nosso Instagram é @campanhaindigena e lá temos o nosso site que é campanhaindigena.info. Nesse site, nessa plataforma, vocês vão encontrar todas as informações das candidaturas, quem são as pessoas, onde vivem; um pouco da biografia de vida sobre a trajetória dessas pessoas. São pessoas que não estão chegando somente agora para concorrer a um cargo dessas assembleias legislativas e federais, já tem história na luta, na defesa dos direitos humanos.

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Fonte: BdF Pernambuco

Edição: Vanessa Gonzaga

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