Com alta de mortes, especialistas afirmam que 2021 pode ser ainda pior

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Credito: Yan Boechat

Com a alta de casos por coronavírus, falta de leitos, dificuldade de assistência para outros tratamentos e um orçamento mais enxuto, especialistas projetam um 2021 pior que o do início da pandemia.

Segundo a última atualização do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), dos mais de 16 mil leitos habilitados pelo Ministério da Saúde, apenas 4.580 estavam em operação.

Isso acontece em meio ao aumento de mortes por covid-19 que ultrapassa os 900 casos por dia. De acordo com o Ministério da Saúde, os hospitais estão recebendo todo o suporte do governo federal antes mesmo da ocupação dos leitos.

Conforme a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), o Sistema Único de Saúde (SUS) perdeu aproximadamente 3.836 leitos de UTI entre julho e outubro deste ano.

Outro ponto fundamental constatado pelo setor é que está se tornando insustentável a priorização apenas de casos de coronavírus em detrimento de outras doenças. Isso já tem dados consolidados e houve o aumento de mortes por outras doenças que não a covid.

Segunda a presidente da Amib, Suzana Lobo, “A taxa de mortalidade vinha caindo nas UTIs privadas e nas públicas. Nossa força-tarefa conseguiu evitar um colapso da Covid, mas não assistiu de forma adequada os outros pacientes. Em 2021, a gente não pode deixar isso acontecer”.

Além disso, a médica ressalta que é importante que os gestores compreendam em sua totalidade a realidade de seus postos de trabalho e resolvam as necessidades dos pacientes com covid e dos sem covid. “Vamos ter meses aí pela frente. Se essa onda da Covid for mais forte do que a outra e a vacina não vier logo, a impressão que eu tenho é que não vai ter leito, não vai ter hospital”, disse ela.

O último Painel do Conass apontou que, neste ano, o país teve um excesso de óbitos, cerca de 187.847 mortes, e só da covid-19 foram 182 mil.

De acordo com o secretário-executivo do Conass, Jurandir Frutuoso, a alta taxa de mortalidade, para além dos casos de covid, pode estar relacionada a sobrecarga dos serviços de saúde. Para ele, a interrupção de tratamentos ou o receio de pacientes buscarem ajuda médica por medo de se contaminar, podem ser fatores importantes para o entendimento do aumento da taxa de mortalidade.

Por fim, Frutuoso reitera que o represamento dessas doenças que não são tratadas pode vir a ser, como afirmam funcionários da área da saúde, a terceira onda de pressão no SUS, que seriam os casos dessas doenças crônicas agravadas.

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