Crueldade e Protofascismo: Prefeitura de Curitiba desaloja 300 famílias em plena pandemia

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A Curitiba real de Rafael Greca se apresenta

 

[Por Pedro Carrano]

 

Na manhã de hoje (7), a recente ocupação de terreno na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), conhecida como “Nova Caiuá”, na região de mesmo nome, ao lado do Cmei Maria Do Rocio Ramina Maestrelli, resistiu a dois dias seguidos de chuvas, mas não à ação violenta da Guarda Municipal, com auxílio da Polícia Militar.

Em plena pandemia, por volta das 9 horas, as cerca de 300 famílias foram comunicadas por um grande efetivo aglomerado da Guarda Municipal: teriam somente 30 minutos para deixar o terreno.

Sem que o choque da Guarda Municipal apresentasse qualquer documento ou liminar, os moradores preferiram deixar o terreno e esperar em frente a calçada a chegada de advogado com orientações.

Porém, não foi possível, sem permitir que voltassem a recolher seus pertences, a Guarda tentou dispersar as pessoas usando balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e spray pimenta, além de uso de força e violência contra os ocupantes.

Um dos casos que mais chamou a atenção foi o da jovem Waleiska Cristina, 21 anos, autônoma, que recebeu um tiro de bala de borracha na panturrilha e mais dois nos braços. Foram vários feridos. As marcas estavam presentes de tiros nos braços, ombros e pernas da multidão que se dispersava.

A reportagem do Brasil de Fato Paraná pôde ainda constatar que a Polícia Militar, no entorno da ocupação, fez revista nas pessoas que deixavam o local. O mais grave, porém, foi a revista em mulheres sem efetivo de policiais femininas.

Waleiska emocionava com seu relato de mãe que há dez dias perdeu o filho recém-nascido e que busca deixar o aluguel insustentável de R$ 500. “Quem que fica dois dias debaixo de chuva em um barracão de lona se não precisasse? Eu sonho em ter um filho adotivo e não tenho condição de ter um imóvel pela Cohab”, exclama Waleiska.

A mãe de Waleiska, que a acompanhava após a violência, em meio ao atendimento do Samu, registrou boletim de ocorrência no próprio local, por conta da violência da reintegração de posse.

Ao longo da tarde, das 16h às 18h, a reportagem do Brasil de Fato Paraná aguardou pela resposta da prefeitura sobre os temas da violência e dos tiros, da ausência de qualquer documentação para o despejo forçado, além da dúvida sobre como as famílias podem agora retirar seus pertences – documentos, celulares, entre outros objetos. Não tivemos resposta. As famílias também aguardam.

 

Opinião:

[por Sálvio Kotter]

Rafael Greca falou publicamente em 2016 que não gosta de pobres e que a única vez que deu carona para um pobre parou o carro pra vomitar, nauseado pelo cheiro. Mesmo assim foi eleito em 2016 e reeleito agora em 2020, e em primeiro turno. Isso faz pensar que não é só ele em Curitiba que não gosta de pobres.

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