Debate em SP: Haddad critica Tarcísio por combate à covid;

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Líder das pesquisas eleitorais da disputa pelo governo de São Paulo, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) criticou o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) pelo boicote à vacinação do governo de Jair Bolsonaro (PL), durante debate organizado por TV CulturaFolha de S. Paulo e portal Uol.

“Todo governo sabe que para erradicar enfermidades, foram necessários muitos anos de trabalho a favor da vacina. A vacina nunca foi obrigatório, mas graças às campanhas atingimos 90% de cobertura vacinal. O governo federal agiu bem com as vacinas?”, questionou o petista.

“Haddad, o governo federal assinou o primeiro contrato para a compra das vacinas para o Covid em agosto de 2020, quando a vacina ainda não era uma realidade. A gente ainda não sabia se ela ia ser desenvolvida, se ela ia ter eficácia”, respondeu o ex-ministro bolsonarista.

:: Pesquisa Ipespe em São Paulo: Haddad tem 36%, Tarcísio 21% e Garcia, 16% ::

Na resposta a Haddad, Freitas defendeu a ação do governo de Jair Bolsonaro (PL) para comprar imunizantes. Ele ainda cometeu uma gafe ao confundir o Covax Facility, consórcio da OMS (Organização Mundial da Saúde) para compra de vacinas contra a covid-19, com o imunizante Covaxin, que foi alvo de escândalo na pandemia após denúncias feitas na CPI da Covid, no ano passado.

Tarcísio ainda foi questionado pelo jornalista Leonardo Sakamoto sobre reportagem da Folha de S.Paulo sobre a disparada dos gastos com dispensas de licitação na reta final da gestão de Tarcísio como ministro da Infraestrutura de Bolsonaro. Os pagamentos incluem contratos com indícios de irregularidades apontados pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e obras emperradas.

Os gastos sem licitação no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), autarquia ligada à pasta que cuida das rodovias, saíram em valores nominais de R$ 224 milhões, em 2019, para R$ 421 milhões, em 2020. Em 2021, atingiram R$ 1,1 bilhão, segundo o Portal da Transparência —alta de quase 400% em dois anos. Tarcísio negou irregularidades.

O encontro reuniu os cinco candidatos mais bem colocados nas pesquisas de opinião: além de Tarcísio e Haddad, Rodrigo Garcia (PSDB), Elvis Cesar (PDT) e Vinicius Poit (Novo). Atual governador do estado, Garcia ficou marcado pela tentativa de esconder de João Doria (PSDB), ao lado de quem concorreu como vice nas eleições de 2018.

Quando elencou governadores e prefeitos com quem trabalhou, como os tucanos José Serra e Mário Covas, Garcia disse: “E fui vice do João”. O fato chamou a atenção já que o ex-governador paulista é conhecido pelo sobrenome. Doria sofre alta rejeição junto ao eleitorado paulista.

Garcia foi questionado pela jornalista Victoria Azevedo sobre seu irmão Marco Aurélio Garcia, empresário que foi condenado por lavagem de dinheiro na chamada máfia do ISS, esquema que desviou mais de R$ 500 milhões dos cofres da prefeitura de São Paulo. O empresário assinou acordo de não persecução penal com o Ministério Público no qual confessa prática ilegal no caso de ocultação de imóvel.

A participação de Poit foi marcada pela dobradinha com Tarcísio para atacar Haddad. Por mais de uma vez, tentou associar o PT à criminalidade. Questionado sobre combate ao racismo na primeira pergunta do programa, usou a maior parte do tempo para se apresentar e acabou ignorando o tema. Por duas vezes, foi questionado sobre o tema das cotas raciais, mas não foi evidente sobre sua posição.

Em agosto, o Brasil de Fato mostrou que 19% das candidaturas apresentadas pelo partido Novo são de pessoas negras, pior desempenho em termos de diversidade racial entre todas as 32 siglas habilitadas a participarem das eleições de 2022. Em relação à participação feminina, o partido é o terceiro pior, com 31,24% de mulheres disputando o pleito. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O pedetista Elvis Cezar, por sua vez, focou no tema da mobilidade urbana. Uma das propostas repetidas mais de uma vez pelo candidato foi o aumento da velocidade dos metrôs paulistas.

Leia a cobertura em tempo real feita pelo Brasil de Fato no Twitter:

Edição: Glauco Faria

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