Disputa para governo no RJ reflete polarização do cenário

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O estado do Rio de Janeiro tem refletido a polarização existente no cenário nacional nessas eleições de 2022. As pesquisas de intenção de votos para o governo fluminense mostram uma vantagem do candidato Cláudio Castro (PL), em relação a Marcelo Freixo (PSB), e mais distante dos dois está o candidato Rodrigo Neves (PDT) se apresentando como uma terceira via.

Na eleição para o Senado Federal, o Rio tem o candidato Romário (PL) liderando todas as pesquisas bem à frente dos outros candidatos. Romário é senador desde 2015 e busca a reeleição. O candidato Alessandro Molon (PSB) está em segundo lugar na disputa, mas teve uma queda nas intenções de votos. Já o candidato André Ceciliano (PT) está em terceiro lugar e tem tido um crescimento contínuo.

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A professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e cientista política, Clarisse Gurgel, explica em entrevista ao programa Central do Brasil, uma parceria do Brasil de Fato com a rede TVT, que o Rio de Janeiro costumava ter um histórico de candidaturas progressistas, porém nos últimos anos isso mudou.

“Isso muda principalmente porque o Rio de Janeiro assume o lugar de laboratório de um modelo de estado que é um modelo conveniente para um patamar de acumulação que o capitalismo hoje se apresenta. Então que modelo é esse? É um modelo de estado endividado e, portanto, que não teria condições de atender qualquer reivindicação no plano econômico comercial”, diz Gurgel.

 

 

Para Clarisse a violência no estado do Rio é um projeto para tentar fazer o eleitorado apoiar candidaturas mais conservadoras. “No Rio de Janeiro, a gente tem um nível de violência que não é essa violência que se universaliza no modo de produção capitalista, mas é uma violência que começa a ter o estado como laboratório e, depois, se nacionaliza com o governo Bolsonaro. Uma violência que ocupa acima de tudo o lugar da política, quando deveria ser o contrário, aquela que viria ocupar o lugar da violência”, explica a cientista política.

Em relação à disputa para o Senado Federal, o professor da Universidade Federal do rio de Janeiro (UFRJ) e cientista político, Josué Medeiros, acredita que os fluminenses têm mais dificuldade em saber qual o papel de um senador e isso atrapalha na decisão de qual candidato votar.

“Em geral na eleição do Senado quem larga na frente tende a continuar na frente e garantir a eleição. A divisão da esquerda nesse caso favoreceu o Romário, a divisão da direita também porque tem a Clarissa Garotinho, Daniel Silveira. Esse cenário favorece o Romário e ele acaba sendo um candidato de inércia”, relata Medeiros.

Josué atenta também para o caso de ter um segundo turno na eleição para governador. Ele diz que o candidato Cláudio Castro pode usar a violência como estratégia para vencer.

“Castro algumas vezes usou uma estratégia de algumas operações policiais violentas para amarrar o eleitorado conservador com ele, então, acho que a gente tem que ficar atento porque pode ser que na reta final da campanha ele faça isso de novo”, finaliza.

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Cláudio Castro, que lidera as pesquisas é o atual governador do Rio. Ele assumiu após o impeachment de Wilson Witzel (PMB), antes disso já havia atuado oito meses como governador interino. Castro, assim como Witzel, traz consigo denúncias de casos de corrupção como o escândalo de cargos secretos na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj). Em seu plano de governo aposta na criação de empregos e na construção do metrô leve na baixada fluminense.

Já Marcelo Freixo, que figura em segundo lugar, atualmente é deputado federal e possui reconhecimento na luta em prol dos direitos humanos. Seu plano de governo aposta na recuperação fiscal do estado e em projetos nas áreas de transporte, mobilidade e saneamento.

Rodrigo Neves foi duas vezes prefeito de Niterói e está na vida pública há mais de 20 anos. Em seu plano de governo planeja um projeto emergencial de renda básica e trabalho, um programa de ensino profissionalizante e de escola em tempo integral.

Fonte: BdF Rio de Janeiro

Edição: Mariana Pitasse

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