El Salvador, entre a História e as repressões

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Bandeira de El Salvador.
Foto: Reprodução.

Nos anos 1980, o menor país continental da América, El Salvador, esteve no centro dos noticiários, sobretudo da esquerda, por conta da formação da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), unificação de cinco agremiações políticas contra um governo considerado ditatorial, representante das chamadas “14 famílias” que governavam o país.

Tudo isso ocorreu após intensa luta de classes no século vinte. Um dos marcos foi a rebelião de camponeses em 1932.

Efervescência cultural e literária não faltaram. É deste pequeno território a produção de Roque Dalton, poeta e militante, autor de “Um livro vermelho para Lenin”.

Nos anos 80, a força guerrilheira fez frente ao exército oficial, patrocinado e assessorado pelo governo dos EUA, porém ambas as forças reconheceram a impossibilidade de vitória.

Os acordos de paz de 1992 representaram a chance de democratização do processo eleitoral no país, ao mesmo tempo em que o neoliberalismo assentou-se no país na esteira do final da guerra. Um verdadeiro laboratório de desindustrialização, dolarização, abandono da produção própria no campo, migração e violência importada dos EUA, por meio da cultura de gangues, as Maras.

Em 2009, a esquerda consegue pela primeira vez ascender ao poder via eleições, porém em um universo que aglutinou um programa rebaixado, pressão da direita conservadora em um país com alto índice de violência, e perseguição no marco da Operação Lava Jato na América Latina contra o presidente à época da FMLN, o apresentador televisivo Maurício Funes.

Ontem (28), o país viveu as eleições para assembleia legislativa, em um contexto no qual o atual presidente tem tido práticas consideradas persecutórias. Não à toa, dois militantes da FLMN foram assassinados neste ano. As eleições são uma forma de o presidente Nayib Bukele, aliado aos Estados Unidos, conseguir hegemonia no parlamento, diante da FMLN (esquerda) e da Aliança Nacionalista Republicana (ultra-direita).

Até o encerramento desta nota (23h00), de acordo com o órgão de imprensa DiárioColatino de um total de 8.451 minutos, apenas 902 foram analisados, dando vantagem ao partido Novas Ideias, do atual presidente, nas delegações à Assembleia Legislativa, enquanto se aguarda a contagem dos votos do Parlamento Centro-Americano (PARLACEN) e conselhos municipais.

Sob receio do período de Covid, apenas 51% da população compareceu às urnas. Um dos grandes receios foi justamente por conta da pandemia a ausência de observadores internacionais.

Em entrevista ao portal Peoples Dispatch, Victor Suazo, membro da FMLN e candidato à Assembleia Legislativa por San Salvador, afirma que Bukele promove o avanço do autoritarismo no país. “Vivemos um retrocesso em nossa institucionalidade democrática e em matéria de direitos humanos”, diz.

Fome na América Central

O número de famintos na América Central quase quadruplicou nos últimos dois anos, revelou um novo relatório do Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês) da ONU. De acordo com os dados, a fome atingiu cerca de 8 milhões de pessoas em El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua em 2020, fazendo explodir o número que era de 2,2 milhões em 2018.

A entidade atribui o aumento à crise econômica que atinge a região, acentuada pela pandemia de covid-19 e pelos catastróficos furacões Eta e Iota, que varreram a zona no final do ano passado. Ainda de acordo com o WFP, 15% dos entrevistados no início de 2021 disseram que têm planos de emigrar, o dobro do registrado em 2018.

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