Eleição de bancadas estadual e federal do Rio seguiram Lula

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A eleição do último domingo (2) promoveu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) a renovação de 45,7% da atual composição de deputadas e deputados, segundo cálculos da própria Casa. A próxima legislatura, que começa em 2023, contará com 32 novatos e 38 parlamentares reeleitos.

A maior bancada será do PL, partido do presidente Jair Bolsonaro e do governador reeleito Cláudio Castro, com 17 deputados. Em sequência, vem a bancada do União Brasil, com oito parlamentares, seguida pelo PT com sete, PSD com seis e Psol com cinco. O PP contará com 4 parlamentares e o Republicanos e o Solidariedade terão três deputados cada um. Os partidos com dois representantes na Alerj serão o PSB, Pros, MDB, PDT e Podemos. Avante, PMN, Patriota, Agir, PSC, PTB, PCdoB terão um parlamentar cada um.

Leia mais: Apoio de igrejas e milícias podem ter garantido vitória de Castro no RJ, avaliam pesquisadores

Em entrevista ao Brasil de Fato, a cientista política e professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Clarisse Gurgel, afirma que não é possível fazer uma análise da nova Alerj sem avaliar todo o processo eleitoral que envolve os bastidores da campanha e da eleição do Executivo fluminense. Ela argumenta que a eleição de Castro é fruto de um estado refém da violência e do Regime de Recuperação Fiscal, sem espaço para tensões sociais.

“É um momento singular do Rio de Janeiro e já vínhamos observando que o estado do Rio é um laboratório em que a política é suspensa, no sentido de ela ser suspendida principalmente pela figura do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que sufoca o estado artificialmente, cria um projeto e implementa a ideia de um Rio de Janeiro sempre endividado e, portanto, fechado às demandas populares”, avalia ela.

Contraponto da esquerda

Clarisse enumera alguns pontos que considera cruciais para a eleição de Castro e o fortalecimento da bancada do PL. Segundo ela, o processo eleitoral foi contaminado pela falta de compromisso político por conta do RRF, mas também pela substituição do tráfico de drogas pelas milícias, “que é um sujeito híbrido que articula um braço ilegal e um braço legal que facilita bastante a violência” de Estado.

A cientista política lembrou, ainda, que a campanha da extrema-direita tem contado com ajuda, inclusive internacional, na disseminação de conteúdos falsos, as fake news, pelas redes sociais, o que explicaria também o voto envergonhado e não declarado para Castro e Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto e a disparidade com o resultado real nas urnas. “Esse uso das redes avançou sobre os votos dos indecisos, os que decidem a eleição”, aponta.

Segundo a professora da Unirio, nem todos esses fatores juntos ao “desvio pornográfico de recursos públicos do Ceperj com dinheiro direto dado a figuras com entrada não só no parlamento, mas também nas comunidades”, e a própria venda da Cedae, “que produziu recursos para o mercado político”, foram capazes de tomar mais cadeiras da Alerj.

“Partidos como PL, que foi de 13 deputados para 17 agora, e os demais que compõem a base aliada de Bolsonaro se confirmaram, mas não se expandiram tanto na Alerj. Por outro lado, vemos o aumento da bancada do PT, que cresce em 5 cadeiras [agora, com sete parlamentares], do PSD e do Psol, derivado de pautas muito pulverizadas em torno da identidade, mas que têm chegado a setores pobres e de classe média”, explica ela.

No cenário nacional, além de eleger Romário (PL) para o Senado, a população fluminense elegeu para as 46 cadeiras do Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados, 11 parlamentares do PL. Já o PT, que tinha apenas Benedita da Silva como representante do partido de Lula na Câmara, passa a ter cinco deputados fluminenses. O Psol foi de dois para cinco parlamentares na Câmara Federal. 

MDB, PDT e PSDB à deriva

Para o cientista político Marcio Malta, que é professor de Relações Internacionais do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (Inest/UFF), o resultado da eleição para deputado federal no Rio de Janeiro refletiu a disputa nacional. Partidos que apoiam a candidatura Lula, como Psol e PT, tiveram bom desempenho, estando entre os mais votados.

“O mesmo ocorreu com a bancada do PL, demonstrando o grau de transferência de votos do presidente Jair Bolsonaro. Não em um programa, mas em um voto de casuísmo que elegeu figuras exóticas como Eduardo Pazuello, que não se explica em termos lógicos, afinal sua gestão à frente do Ministério da Saúde foi desastrosa”, analisa Malta.

Partido mais influente da política fluminense em outros tempos, o MDB elegeu apenas dois deputados estaduais. O PDT também passou de um para dois parlamentares no estado. Na Câmara Federal, o MDB passa a ter também dois representantes pelo estado do Rio, caindo em número em relação aos três deputados da atual legislatura. O PDT vai de quatro deputados federais agora para um a partir de 2023.

“Partidos tradicionais como o MDB e o PDT foram muito mal das pernas, demonstrando um apagamento e ostracismo. O PDT acompanhou o resultado pífio de seu candidato nacional [Ciro Gomes] em voo solo e elegeu apenas um parlamentar, ficando de fora figuras históricas ou mesmo deputados que não se reelegeram”, conclui o cientista político da UFF.

Fonte: BdF Rio de Janeiro

Edição: Mariana Pitasse

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