Mil pessoas ficaram sem ter onde morar às vésperas do Natal

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Créditos: Rafael Bertelli / Mandato Deputado Estadual Goura

Após ordem judicial, moradores da ocupação Nova Guaporé foram despejados

(por Jess Carvalho, via Plural Jornal)

“Ninguém avisou que iam nos tirar de lá com força policial, porque não queriam que a mídia soubesse. Fomos saber ontem à noite, não pudemos nem nos preparar. Só fizemos uma reunião e dissemos pra ninguém resistir, porque senão eles iam fazer covardia como fizeram no Caiuá”, contou Geremias de Oliveira Custódio, uma das lideranças da ocupação Nova Guaporé, que ficava na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).

Juliana Almendro Teixeira, que vive na ocupação ao lado, a 29 de Março, tentou ajudar os vizinhos e acompanhou de perto o drama do despejo das mil pessoas que viviam ali desde outubro. “Os policiais chegaram às 5h da manhã, mas estavam escondidos. Perto das 6h, começou a sair homem de todo canto, entraram por trás da Sanepar. Eram uns 400 a 500, veio até a cavalaria”, falou.

Segundo ela, a polícia foi “pacífica”, mas as cenas foram lamentáveis mesmo assim. “Durante a ação as crianças estavam com fome, não tinha como fazer mamá pras menores. Aí queriam levar as mães pra um abrigo, mas elas não queriam ir porque tudo o que tinham estava ali. O povo com sede, na frente da Sanepar, e não tinha nem água pra tomar.”

“Estão falando que CRAS, FAS estão ajudando… Mentira, ninguém apareceu”, lamentou Geremias. Ambos disseram ao Plural que só a Ordem dos Advogados do Brasil, a Defensoria Pública e políticos como Goura e a professora Josete prestaram algum auxílio, além de outros advogados parceiros.

Os dois também afirmaram que as famílias tiveram pouco tempo para tirar seus pertences de casa e muitas perderam o pouco que tinham. “Eles fizeram barreiras. Só deixavam sair, mas não deixavam entrar. Então as pessoas queriam ajudar, os caminhões queriam entrar pra tirar as coisas, mas não dava. Ficou tudo no meio da rua”, descreveu Juliana em uma ligação de telefone, perto das 22h. “Até agora tem gente carregando os caminhões. Com a chuva, deve ter molhado tudo.”

Geremias revelou que a mudança forçada foi para outra ocupação, agora no Campo Comprido. “Quem quis vir, veio. Estamos acampados aqui. O direito de moradia é direito do povo, né? Com essa pandemia muita gente ficou desempregada, muita gente passando necessidade, e acolhemos quem precisava. O pessoal já tinha até enfeitado as casinhas lá, sabe? Agora o Natal vai ser horrível. Espero que, pelo menos, não nos tirem daqui.”

Veja a matéria completa no Plural Jornal.

 

 

 

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