Negra é espancada e estuprada no Carrefour

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[Por Sálvio Kotter – com Luisa Fragão, da Revista Fórum]

 

Cristiana F. Cordeiro, Titular da Vara Criminal de Mesquita, na Baixada Fluminense, relatou que uma mulher negra, lésbica e dependente química foi torturada e estuprada após ter furtado, supostamente, alguns alimentos do supermercado.

“Uma mulher, negra, lésbica, pobre, dependente química, foi presa por supostamente furtar comida numa filial do Carrefour, no Rio. Ao chegar à audiência de custódia (que, na época, era realizada no prédio do Tribunal, no centro da cidade), vi que o médico que a examinou descreveu que ela estava com um curativo no ânus. Ela dizia que havia se machucado ao evacuar, algo assim. Só que a história real não era essa”, escreveu a juíza.

A vítima não queria revelar na audiência o motivo de estar ferida, segundo a juíza, mas foi convencida por sua companheira a compartilhar as violências que sofreu.

“Enfim ela contou que foi flagrada furtando (uma relação de alimentos bem mais módica do que aquela apresentada na nota fiscal pelo mercado). Não era a primeira vez. Mas naquele dia, algo diferente e terrível aconteceu”, conta Cristiane.

“Ela foi levada para uma salinha onde foi brutalmente espancada com um pedaço de madeira, inclusive. Não teve coragem de nos contar o mais cruel, e só falou para a psicóloga que a atendeu antes de ser liberada: foi sodomizada, estuprada, como ‘lição e castigo’”, completou no relato.

Desde essa audiência a Juíza não conseguiu mais entrar em uma loja da rede Carrefour, que acumula fatos correlatos, na maioria impunes.

 

…….

O que é para mim pelo dinheiro, o que eu posso pagar, isto é, o que o dinheiro pode comprar, isso sou eu, o possuidor do próprio dinheiro. Tão grande quanto a força do dinheiro é a minha força. As qualidades do dinheiro são minhas – de seu possuidor – qualidades e forças essenciais. O que eu sou e consigo não é determinado de modo algum, portanto, pela minha individualidade.

Sou feio, mas posso comprar para mim a mais bela mulher. Portanto, não sou feio, pois o efeito da fealdade, sua força repelente, é anulada pelo dinheiro.

Eu sou – segundo a minha individualidade – coxo, mas o dinheiro me proporciona vinte e quatro pés; não sou, portanto, coxo;

sou um ser humano mau, sem honra, sem escrúpulos, sem espírito, mas o dinheiro é honrado e, portanto, também o seu possuidor.

O dinheiro é o bem supremo, logo, é bom também o seu possuidor; o dinheiro me isenta do trabalho de ser desonesto, sou portanto, presumido honesto;

sou tedioso. Mas o dinheiro é o espírito real de todas as coisas, como poderia seu possuidor ser tedioso? Além disso, ele pode comprar para si as pessoas ricas de espírito, e quem tem o poder sobre os ricos de espírito não é ele mais rico de espírito do que o rico de espírito?

Eu, que por intermédio do dinheiro consigo tudo o que o coração humano deseja, não possuo, eu, todas as capacidades humanas? Meu dinheiro não transforma, portanto, todas as minhas incapacidades no seu contrário?

Se o dinheiro é o vínculo que me liga à vida humana, que liga a sociedade a mim, que me liga à natureza e ao homem, não é o dinheiro o vínculo de todos os vínculos? Não pode ele atar e desatar todos os laços? Não é ele, por isso, também o meio universal de separação? Ele é a verdadeira moeda divisionária, bem como o verdadeiro meio de união, a força galvano-química da sociedade.

[Marx via Shakespeare e Goethe]

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