O impacto do ensino remoto na saúde mental dos professores

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[Por Marcia Friggi]

 

Uma das categorias mais afetadas pelas consequências da pandemia é, sem dúvida, a dos professores. Em poucas semanas eles enfrentaram uma transformação radical na sua rotina. Precisaram preparar a família e adaptar seu espaço doméstico para receber a escola dentro da sua casa. Sem nenhuma preparação ou experiência para aulas remotas, adaptaram suas práticas pedagógicas para o ensino on-line, tudo isso num cenário de medo e preocupação com a Covid-19.

Segundo pesquisa do Instituto Península, 88% da categoria não possuía experiência no ensino à distância e 83,4% se sentia nada ou pouco preparada para essa tarefa. Além da falta de prática nessa modalidade de ensino, eles viram aumentar ainda mais o volume de trabalho. Novas exigências e plataformas on-line necessitam ser alimentadas. Segundo os professores, a correção das atividades dos alunos requer muito mais tampo, assim como a preparação das aulas. A maioria deles também atente os alunos pelo WhatsApp, além das outras plataformas digitais.

A professora Rosane conta que possui dez turmas no WhatsApp e que, muitas vezes, os alunos ou até mesmo os pais a procuram pelo aplicativo sem respeitar horário ou dia da semana. Ela também relata que todo o material enviado para as aulas on-line precisa ser também adaptado para material impresso que é destinado aos alunos que não possuem acesso à internet, o que significa preparar aulas da mesma disciplina e conteúdo para dois universos distintos.

Além da falta de preparação, os professores também não receberam apoio em relação aos novos instrumentos de trabalho, como Internet, computador e celular. A professora Rosane conta que logo no início das aulas remotas precisou comprar um celular novo, já que o dela não possuía memória suficiente para essas atividades. Considerando as questões de equipamentos de trabalho para a nova realidade, a educação pública continuou a ser gratuita para os alunos, mas paga pelos seus professores. Estados e Municípios ofereceram apenas as plataformas.

Conforme pesquisa do Instituto Península e de alguns sindicatos consultados, as queixas mais frequentes dos professores durante esse período são ansiedade, cansaço, estresse, insônia, dor de cabeça e frustação.

Mais uma vez essa categoria que merece todo nosso respeito e que é tão desvalorizada pelos governantes e pela sociedade, até mesmo muitas vezes perseguida por eles, arca com o ônus emocional e financeiro de uma nova realidade que foi imposta pela pandemia.

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