Pfizer acusada de chantagem por países latino-americanos em negociação pela vacina

0
315
Imagem: REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa

trecho de Opera Mundi:

A Pfizer pediu a alguns países que colocassem seus ativos soberanos, que incluem edifícios de embaixadas e bases militares, como garantia contra o custo de futuros processos judiciais por efeitos colaterais, revela uma investigação conduzida pelo Bureau of Investigative Journalism, com sede em Londres, no Reino Unido, e pelo jornal investigativo OjoPúblico, do Peru.

Um funcionário que esteve presente nas negociações do laboratório norte-americano descreveu as demandas da Pfizer como “intimidação de alto nível” e disse que o governo [de um país não-identificado] sentiu que estava sendo “chantageado” para ter acesso às vacinas.

No caso desse país, que não foi identificado a pedido das autoridades que prestaram depoimento para o relatório, as demandas da gigante farmacêutica levaram a um atraso de três meses no acordo de compra da vacina. No caso da Argentina e do Brasil, nenhum acordo nacional foi alcançado.

[…]

A Pfizer buscou uma isenção adicional em processos cíveis, para que a empresa não seja responsável pelos raros efeitos colaterais causados por sua vacina, ou por seus próprios atos de negligência, fraude ou dolo. Isso inclui aqueles relacionados às práticas da empresa, como, por exemplo, se a Pfizer enviar a vacina errada ou se cometer erros durante a fabricação do imunizante.

“Certas proteções contra responsabilidade são garantidas, mas certamente não em casos de fraude, negligência grosseira, má-gestão ou falha no cumprimento das boas práticas de fabricação”, disse Gostin. “As empresas não têm o direito de reclamar indenização por essas coisas”, concluiu.

“A Pfizer se comportou mal com a Argentina”, disse Ginés González García, então ministro da Saúde da Argentina. “Eles mostraram uma intolerância tremenda conosco”, avaliou. González García renunciou no sábado passado depois que se soube que o jornalista Horacio Verbitsky e outros argentinos foram vacinados fora do processo formal de imunização e uma investigação foi iniciada no país contra mais “vacinados VIP”.

As mesmas demandas foram feitas ao Ministério da Saúde do Brasil. A Pfizer pediu indenização e pediu ao ministério que colocasse ativos soberanos como garantia, além de criar um fundo de garantia com dinheiro depositado em conta no exterior. Em janeiro, o ministério brasileiro rejeitou essas condições, chamando-as de “abusivas”.

Receba atualizações por e-mail!

Cadastre-se agora e receba um e-mail assim que for publicado um novo conteúdo.

Nunca enviamos SPAM. Você pode cancelar sua inscrição a qualquer momento.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui