Professora é agredida em posto de saúde por médico que não usava máscara

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Foto: Reprodução

Ontem (10), a professora e tatuadora Lia Costa, 43 anos, foi a um posto de saúde em Piracaia, interior de São Paulo, para ajudar uma família que precisava de ajuda para uma consulta no psiquiatra.

Ela só não esperava que seria agredida pelo psiquiatra Eduardo Portieri, funcionário da unidade. De acordo com a professora, em entrevista à Ponte, “Eu vim auxiliar uma conhecida que estava precisando de atendimento para ela e para os filhos, porque um dos filhos tem um tumor, aconteceu muita coisa”. “Então estou pleiteando junto do Estado que ela consiga um laudo do psiquiatra para provar que essa mãe não tem condições financeiras de manter as crianças se o Estado não ajudar”, continuou ela.

A tatuadora foi, então, acompanhar a família na unidade de saúde. “Ficamos uma hora esperando e vinha passando por nós um homem de camiseta preta e sem máscara. Ele subia e descia. Era o único sem máscara”, disse.

“Quando fomos ser atendidas, ele virou para mim e perguntou quem iria ser atendido. Mostrei a criança e ele disse: ‘Você está me fazendo de palhaço? Eu não atendo criança’. Aí eu falei que podia ter havido um engano, mas que ele podia atender a mãe. Aí ele disse que não era idiota e que não iria atender ninguém. Foi quando falei que ele estava sem máscara dentro do posto”.

Lia relembra que, esse momento, ela pegou o celular para registrar a cena. “Ele perguntou quem eu era e eu falei que estava acompanhando. Ele disse que se eu continuasse gravando iria tomar o meu celular. Com toda a violência, ele me agrediu, tomou o meu celular e ficou em poder do meu celular por 15 minutos. Ninguém do posto de saúde falou com ele, todo mundo defendeu ele”, relatou a professora.

O psiquiatra, conforme Lia, negava-se a devolver o aparelho e chamou a segurança para a ela. “Torceu o meu celular, machucou a minha mão e o meu ombro só porque foi gravado sem máscara dentro de um posto de saúde em uma pandemia que morrem por dia 2 mil pessoas e tinha uma criança traumatizada vendo tudo”, disse.

“Ainda que ele esteja ou não com coronavírus, sendo um ‘profissional’, se negar a usar máscara e ser violento é muito errado. Mais uma vez essa mãe foi negligenciada pelo Estado, mais uma vez a criança foi traumatizada e mais um vez uma mulher é agredida”.

“O que a gente tem do Estado? Eu vou a um posto de saúde, peço para o psiquiatra usar máscara e ele vem me bater? E ele vai me processar por uso de imagem, sendo que ele é funcionário público, e desacato, e o vídeo mostra que não houve desacato, só da parte dele: desacato, desrespeito e desumanidade”, contou  a tatuadora.

Por fim, Lia relatou que, na Delegacia de Polícia de Piracaia, o médico teve atendimento especial, porém ela não teve nenhum apoio no local. “Fiz um boletim de ocorrência e vou ao Ministério Público porque não quiseram me dar medida protetiva. A cidade é pequena, uma pessoa que faz isso é uma pessoa perigosa. Eu também chamei uma viatura, mas a Polícia Militar não me atendeu. Eu corro risco”, relatou a professora.

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