Bolsonaro e PSDB: Tua vida por nossos votos!

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O uso político da pandemia

[Deu na Revista Fórum e no Brasil 247]

Em entrevista coletiva no início da tarde desta segunda-feira (30), um dia após Bruno Covas (PSDB) vencer o segundo turno das eleições para a prefeitura de São Paulo, o governador João Doria (PSDB) confirmou o retorno de todo o estado de São Paulo para a fase amarela do plano de isolamento contra propagação do coronavírus.

“Com o claro aumento da instabilidade da pandemia, o governo do Estado de São Paulo e o gabinete de gestão do coronavírus decidiram que 100% do estado de São Paulo vai voltar à fase amarela do plano SP”, anunciou Doria.

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), comentou indignado pela sua conta do Twitter, nesta segunda-feira (30), o fato do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciar, no dia seguinte às eleições municipais, recuo de 100% do estado à fase amarela:

“Eles estavam mentindo… quantos morreram desnecessariamente? Canalhice’.

Doria aguardou o resultado das eleições e só fez o anúncio após ter consolidada a vitória de seu correligionário, Bruno Covas (PSDB), que foi seu vice em 2016.

 

Opinião:

 

[Por Sálvio Kotter]

 

Não é só Bolsonaro que tem agido na pandemia não para salvar vidas, mas para obter os maiores dividendos políticos, visando a reeleição.

Doria teve um grande embate com o Presidente, no qual defendia aparentemente o direito da população à saúde. Acabou sendo saudado por isso por várias lideranças do país, inclusive jornalistas acima de qualquer suspeita, como Luis Nassif.

Mas era tudo balela, só agiu assim enquanto em seus cálculos o prejuízo político ia em direção a seu provável adversário nas eleições de 2020. Aliás, adversário agora, porque na eleição açodou-se em vender o Bolso-Doria.

Agora, para reeleger Bruno Covas, que concorreu como seu vice na última campanha municipal e herdou a cadeira de prefeito quando Doria a abandou para concorrer à de governador, Doria enganou descaradamente, gerando aumento de contágios e de óbitos no estado.

Isto tudo está claro como a luz do dia, mas trata-se de algo difícil de se punir, exceto por meio das urnas.

O progressismo precisa urgentemente aprender a usar melhor as redes e assim provocar uma maior conscientização.

O golpe de Estado promovido pela direita dita democrática foi novidade em 2016, mas os golpes eleitorais praticados pelo centrismo vêm de longe . Lembremos o plano cruzado, em 1986, que deu ao PMDB da época 22 das 23 cadeiras de governador à época no país, mas foi desmontado logo depois do fechamento das urnas.

Lembremos 1998, quando FHC fazia uma política econômica sustentada pela paridade cambial com o dólar, mas promoveu a maxidesvalorização treze dias após a posse da reeleição.

Chega de golpes.

 

 

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